sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Fiocruz RO solicita patente para fármaco anti-leishmaniose

A Fiocruz Rondônia fez solicitação para o primeiro pedido de patente de um fármaco anti-leishmaniose obtido através da serpente Crotalus durissus terrificus. O produto é fruto do trabalho desenvolvido no Laboratório de Biotecnologia Aplicada à Saúde e coordenado pelo pesquisador Roberto Nicolete, doutor em Biociências. A equipe conta ainda com os pesquisadores Andreimar Martins Soares e Leonardo de Azevedo Calderon, do Centro de Biomoléculas Aplicadas à Saúde (CeBio) e Universidade Federal de Rondônia (UNIR). O pedido de patente foi originado durante o desenvolvimento da tese de doutorado do aluno João Rafael Valentim-Silva, bolsista da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e a Pesquisa em Rondônia (Fapero) e integrante do Programa de Pós-Graduação em rede Bionorte.

Fomentada pela Fapero, via Programa PPSUS (2013), a invenção consiste em avaliar a eficácia e efeitos toxicológicos da crotamina (CTA) isolada da peçonha da serpente Crotalus durissus terrificus associada aos fármacos da terapia empregada na leishmaniose. Para o pesquisador Roberto Nicolete, o depósito de patente via PCT foi muito importante para o grupo de pesquisa, possibilitando maior abrangência e visibilidade do estudo. “Com os resultados obtidos pudemos vislumbrar grande potencialidade de aplicações biotecnológicas dos produtos e processos da combinação terapêutica proposta em nosso estudo e, certamente, irão contribuir para o fortalecimento da C, T & I do estado e do país”, destacou o pesquisador.
Roberto Nicolete acrescenta que dentre as contribuições estão a difusão do conhecimento, formação de recursos humanos, nível de pós-graduação, e consolidação de colaborações locais e regionais. “A área de Biotecnologia e Saúde aplicada para o desenvolvimento de produtos e protótipos para o tratamento de doenças infecciosas e crônicas ainda é um gargalo para o fortalecimento e competitividade da indústria nacional de fármacos e biofármacos, a qual setoriza suas prioridades de mercado e acaba deixando de apoiar a sustentabilidade do SUS e a concorrência nacional na área”, frisou o pesquisador.
Intensa pesquisa
Desde 2013 a equipe do pesquisador Roberto Nicolete avalia a eficácia e efeitos toxicológicos da crotamina isolada da cascavel. Estudos preliminares e in vitro possibilitaram avaliar as combinações de droga, citotoxidade dos tratamentos sobre células, e as duas combinações mais eficazes de cada droga foram testadas para avaliação do efeito sobre a inibição do crescimento das formas amastigotas de Leishmania amazonensis e produção de mediadores imunológicos por macrófagos infectados com o parasito. Os tratamentos dos camundongos infectados com as combinações foram realizados por oito dias alternados. A massa e tamanho da pata infectada foi monitorada diariamente. Após 48 horas do fim do tratamento os animais foram eutanasiados para a retirada de sangue, tecido da pata, linfonodo, rins, fígado e baço para posteriores experimentos. O sangue foi centrifugado e o soro separado para análise bioquímica e imunológica.
A combinação dos fármacos com CTA mostrou-se mais eficaz que as drogas sozinhas na inibição da contagem de parasitos nos tecidos, revelou o estudo. A medida das massas dos órgãos não sugere megalias [aumento ou desenvolvimento anormal de um órgão ou parte dele], no entanto, a bioquímica do soro dos animais demonstra aumento de enzimas hepáticas e musculares sem apresentar toxidade. “A associação da CTA com os fármacos mostra-se um promissor caminho para tratamentos antileishmania”, considerou o cientista. Assim, ele espera que os resultados obtidos possibilitem vislumbrar parcerias e potencialidade de aplicações biotecnológicas dos produtos e processos envolvendo a combinação terapêutica proposta no estudo, os quais contribuirão para o fortalecimento da C, T &I do estado e do país.
Fonte: https://agencia.fiocruz.br 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Nova tecnologia dos EUA consegue identificar vírus do zika a baixo custo

Desenvolvida originalmente para detectar pneumonia em carneiros, tecnologia da Universidade Estadual do Colorado (EUA) consegue identificar o vírus, com precisão, em mosquitos infectados

Passados três anos da provável data de chegada do zika às Américas, os métodos de detecção do vírus ainda são limitados. Se, por um lado, o RT-PCR (reação em cadeia da polimerase) — exame considerado padrão ouro — é caro e exige máquinas sofisticadas, aqueles que identificam anticorpos circulantes no organismo do paciente apresentam índices altos de falso positivo e negativo. Na busca por meios mais baratos, rápidos e acurados, um grupo de cientistas liderados pela Universidade Estadual do Colorado (UEC), nos Estados Unidos, desenvolveu uma nova ferramenta diagnóstica, com alto grau de precisão. Contudo, os estudos são preliminares e não há previsão de quando vão para o mercado.

A equipe de pesquisadores, que contou com a colaboração da Fundação Oswaldo Cruz de Pernambuco (Fiocruz-PE), utilizou uma tecnologia preexistente, a Lamp, para identificar o vírus em mosquitos e células humanas infectadas, provenientes de amostras dos Estados Unidos, da Nicarágua e do Brasil. A técnica foi desenvolvida em 2001 por Connie Brewster, autor desse novo artigo, publicado na revista Science Translational Medicine. Originalmente, o pesquisador do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Patologia da Faculdade de Veterinária da UEC havia criado o método para encontrar o vírus da pneumonia em carneiros selvagens.

A Lamp é semelhante ao RT-PCR, método molecular que amplifica, detecta e quantifica o material genético de uma só vez, o que aumenta a confiança do resultado do exame. Contudo, para examinar as amostras pelo RT-PCR, é preciso usar um equipamento de laboratório que custa entre US$ 15 mil e US$ 25 mil, o que inviabiliza ou, ao menos, dificulta o acesso, especialmente em regiões mais pobres. Com o mesmo grau de sensibilidade, a Lamp, por sua vez, não exige aparelhagem diferenciada: para avaliar a amostra, basta uma máquina portátil e muito simples, o heat block, que, além de poder ser transportado para qualquer lugar, custa cerca de US$ 200.

“Com o Lamp, não há necessidade de um maquinário sofisticado”, destacou, em nota, o autor correspondente do artigo, Joel Rovnak, da UEC. “A maior parte dos países que sofrem com os surtos de zika não é rica, então, é importante tentar desenvolver métodos de vigilância em saúde que possam, um dia, ser usados nesses locais”, destaca a estudante de graduação da instituição norte-americana Nunya Chotiwan, coautora do artigo.

O custo não é a única diferença entre os métodos. No caso do PCR, é preciso, primeiramente, extrair o RNA (material genético do vírus) da amostra, um processo que não é simples. De acordo com Chotiwan, quanto ao Lamp, os cientistas esmagam um mosquito na água. Depois, retiram 2ml do líquido, colocam o material em um tubo de ensaio e o aquecem, usando reagentes químicos. A amostra torna-se vaporosa e muda de cor. No estudo da Universidade Estadual do Colorado, em 30 minutos, já se obtinha o resultado. Contudo, a pesquisadora ressalta que, às vezes, é possível ter de esperar até uma hora. Ainda assim, é um método diagnóstico em tempo real, tanto quanto o TR-PCR.

Um outro importante resultado do estudo é que esse método não produz falsos positivo ou negativo. Como o mosquito transmissor do zika, o Aedes aegypti, também dissemina outras arboviroses, incluindo dengue e chicungunha, a análise laboratorial pode acabar confundindo o resultado, devido à semelhança desses vírus. Já os reagentes usados no Lamp não identificam qualquer outro vírus, que não o zika.

Rovnak destaca também o fato de a ferramenta conseguir distinguir a cepa asiática (a que causa microcefalia) da africana (ainda não circulante nas Américas e, aparentemente, inócua). O vírus proveniente da Polinésia foi detectado em Cabo Verde e espera-se que ele se dissemine pelo continente africano. Segundo o pesquisador, é fundamental saber diferenciar as variantes. “Originalmente, o zika foi detectado pela primeira vez em Uganda, em 1947. Embora Cabo Verde seja um país insular, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças acredita que, rapidamente, ele chegue em outros países africanos”, observa.

Com esse método, os cientistas poderão identificar em que regiões há mosquitos transmissores do zika e, assim, adotar medidas de controle e eliminação do vetor — o Lamp foi sensível suficiente para encontrar um único inseto infectado entre 50 que não tinham o vírus. Contudo, ainda é necessário aprimoramento, antes que o método esteja disponível para detectar o zika em fluidos humanos. “O diagnóstico em humanos é um desafio muito maior. Vai levar bastante tempo e muitos dados antes que agências regulatórias considerem que esse é um meio seguro para diagnosticar pessoas que têm os sintomas da doença”, ressalta Joel Rovnak.

Palavra de especialista
Limitações permanecem

“Hoje, os métodos de diagnóstico de zika são muito limitados, principalmente porque a sorologia não é fidedigna e pode ser confundida com a dengue. Essa tecnologia vem como uma alternativa mais barata e mais rápida, embora também tenha algumas limitações. Nos testes com cultura celular humana, houve muitos falsos positivos e falsos negativos. Por isso, ainda é preciso aprimorá-la muito antes de poder ser usada em amostras como sangue, soro, saliva e sêmen. E o exame para diagnóstico em humanos é justamente o que mais precisamos nesse momento. O resultado desse estudo tem implicação mais para a detecção do vírus no mosquito. Existe uma grande possibilidade de o zika asiático, o causador da microcefalia, entrar na África. Como essa técnica consegue detectar vetores infectados, ela ajuda a fazer o controle do mosquito, com medidas mais específicas para a região onde for encontrado.”
Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Patente da Tesla revela novo sistema para troca de baterias

A Tesla tem investido muito em baterias e melhorias no campo energético há alguns anos. E como sua proposta de veículos se baseia em carros que se movem graças a sua bateria, pode ocorrer de em algum dia elas darem problemas. E é pensando nisso que uma patente de maio deste ano revela um sistema que explora a troca de baterias usando uma plataforma que levanta o carro para realizar a atividade. Ao que parece, a Tesla anda estudando diferentes maneiras de melhorar o processo de troca de baterias de seus carros para que o serviço seja rápido, eficiente e móvel.

empresa já vem testando formas de trocar as baterias de seus veículos há algum tempo. Em 2014 ela mostrou um sistema automatizado que conseguiu trocar as baterias em menos de 90 segundos. A ideia porém foi arquivada quando surgiu o sistema Supercharger. A nova patente mostra que a tecnologia é aplicável para variantes dos modelos S e X da empresa.
Patente da Tesla
O sistema descrito nessa patente pode ser instalado em uma estação de serviço ou até em uma plataforma móvel. Um carro dos modelos S ou X iriam até a plataforma que iria erguer o veículo para que técnicos ajudassem a máquina a trocar as baterias.
Isso vai de encontro ao que Elon Musk disse anteriormente. Para ele, se um dia a Tesla criasse um sistema de troca de baterias móvel, ele seria preparado para suportar veículos comerciais. A Tesla também pretende revelar em breve um semi caminhão que poderia trabalhar em conjunto com essa plataforma. Vamos aguardar para ver se um dia essa plataforma será lançada, uma vez que, nem sempre uma patente vira realidade. 
Fonte: https://www.tudocelular.com 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Justiça garante uso exclusivo de garrafão de água laranja patenteado

Liminar da 3ª Vara Cível de Montes Claros, em Minas Gerais, garantiu à Saúde Indústria e Comércio de Água Mineral que só ela pode utilizar, fabricar, envasar e comercializar os garrafões cor laranja da sua marca “Nativa” porque estão patenteados. As empresas que usam estes galões para vender água das suas marcas poderão ser multadas em R$ 1 mil se descumprirem a decisão.
A empresa alegou na ação que é detentora exclusiva da marca dos garrafões alaranjados, diferentes dos tradicionais azuis. Além de comprovar que o desenho industrial dos garrafões é registrado e patenteados junto ao Instituto de Nacional de Propriedade Intelectual, a companhia sustentou que tentou resolver o problema de forma amigável, notificando extrajudicialmente as empresas sobre seu direito exclusivo.
Apesar disso, 11 empresas teriam continuado a utilizar os recipientes de forma ilícita, contrariando a Lei de Propriedade Industrial (Lei 9.279-96). "As empresas causavam grave prejuízo também aos consumidores porque associaram a cor e o modelo do garrafão à marca Nativa", afirmou o advogado Tabajara Póvoa, que representou a empresa.
Clique aqui para ler a decisão.                                                                       Fonte: http://www.conjur.com.br

Laboratório e tribo indígena se unem para proteger uma patente

A Allergan encontrou uma forma muito incomum de proteger um de seus remédios mais vendidos da concorrência dos genéricos. A companhia farmacêutica, que está defendendo sua propriedade intelectual em várias frentes, informou que vai transferir os direitos do Restasis à tribo mohawk de Saint Regis, uma decisão que visa a anular os recursos apresentados ao escritório de patentes dos EUA por laboratórios rivais. O remédio, um tratamento para a síndrome do olho seco, registrou US$ 1,49 bilhão em vendas no ano passado. 


O pacto, que dá à tribo do interior do estado de Nova York o direito a receber um pagamento único de US$ 13,75 milhões e US$ 15 milhões por ano em royalties, poderia criar uma nova forma para que os laboratórios se defendam dos recursos contra patentes que garantem bilhões de dólares por ano em vendas. 
Várias das principais companhias farmacêuticas informaram recentemente uma desaceleração das vendas e uma redução dos lucros por causa da perda de exclusividade com os remédios mais vendidos, e o governo do presidente Donald Trump informou que pretende reduzir os preços dos medicamentos. Ao mesmo tempo, ficou mais fácil atacar as patentes dos remédios graças ao processo acelerado de análise jurídica criado recentemente pelo escritório de patentes dos EUA.
Ao transferir os direitos a essa tribo indígena americana, a Allergan afirma que poderia conseguir se proteger. "Eu acho que isso poderia se tornar um guia para outros casos no futuro, tanto para nós como para outras empresas", disse Bob Bailey, diretor do departamento jurídico da Allergan. Ideia original A Allergan informou que foi abordada pela tribo, que lhe apresentou uma "oportunidade sofisticada de fortalecer a defesa" das patentes do Restasis, que foram contestadas em um processo de análise de patentes chamado "revisão entre as partes" (IPR, na sigla em inglês). 
A tribo, que é uma entidade de governo soberano, afirma estar protegida de recursos legais civis contra patentes. Governos estaduais e internacionais não podem ser processados nem submetidos a ações do governo federal, exceto em determinadas circunstâncias. "Ficamos impressionados com a abordagem atenciosa e empreendedora da tribo, que lhe permitirá atingir seus objetivos de autossuficiência e abordar as necessidades mais urgentes de sua comunidade", disse Bailey no comunicado. 
A Mylan apresentou petições ao escritório de patentes dos EUA para contestar as patentes da Allergan no processo de IPR. O órgão já determinou que a Mylan apresentou uma "probabilidade razoável" de obter decisão favorável com os argumentos de que as patentes são inválidas, mas uma audiência sobre o caso está marcada para semana que vem em Alexandria, Virgínia. 
Laboratórios reclamam há tempos do processo de IPR, que permite apresentar recursos no Patent Trial and Appeal Board, porque isso significa que elas precisam defender suas patentes de ataques em dois fóruns diferentes. Elas têm que vencer tanto no tribunal quanto no órgão.
Fonte: https://economia.uol.com.br