sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O que levou dois programas de pós-graduação da UFPR à excelência internacional


Produzir Ômega 3 a partir de um processo fermentativo da cana-de-açúcar, como alternativa à pesca comercial em larga escala, que afeta a saúde dos mares mundo afora. Esse é apenas um exemplo das pesquisas inovadoras que estão sendo realizadas por laboratórios da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e que contribuíram para que dois cursos de pós-graduação atingissem a nota máxima na avaliação quadrienal da Capes, órgão vinculado ao Ministério da Educação, divulgada em 20 de setembro. 
Os programas de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia e o de Química conquistaram a nota de excelência 7, o que equivale ao desempenho das universidades de ponta em países plenamente desenvolvidos. No Brasil, de 3.472 programas acadêmicos avaliados, 179 tiveram nota máxima, em diversas áreas de conhecimento. No Paraná, além dos dois cursos da UFPR, apenas a UEL repetiu o feito. 
Para a equipe de Bioprocessos da UFPR, houve uma satisfação a mais: o programa conquistou a maior pontuação do Brasil entre todos os 65 avaliados na área de biotecnologia. A Capes levou em conta toda a produção em relação ao núcleo permanente de professores, que são 12. Nesta área de conhecimento, foram considerados produção de teses, dissertações e artigos em revistas conceituadas, o tempo que os alunos demoram para se formar e, especialmente, número de patentes. O programa da UFPR registrou muitas invenções: 68 nos últimos quatro anos. 
“Somos o programa top no Brasil de depósitos de patentes de produtos e processos, explorando a biodiversidade brasileira e tentando agregar valor às nossas cadeias produtivas. Em vez de exportar nossa matéria-prima básica para ser transformada em outros países, para que nos vendam produtos que valem 100 vezes mais, nossa missão é ajudar o Brasil a evoluir nesse processo”, explica o professor Carlos Ricardo Soccol, mentor da pós. Ele ajudou a organizar o doutorado em 1997, programa que não existia na área de engenharias no Brasil até então. A graduação foi criada em 2000 e o mestrado, em 2003. 
Segundo a vice-coordenadora da pós, Luciana Vandenberghe, empresas de todos os tamanhos procuram o curso em busca de novos produtos ou ajuda para melhorar processos. Recentemente houve contato com a Vale, Ajinomoto e Ouro Fino, por exemplo. O programa conta com uma planta piloto de validação de tecnologias, para testar processos em escala semi-industrial. No dia em que a reportagem visitou o local, pesquisadores envasavam dezenas de litros de biofertilizante natural, que seriam levados para uma empresa interessada testar a tecnologia. Para Soccol, ele próprio envolvido em mais de 81 patentes ao longo da carreira, essa é a maneira de um curso de tecnologia dar retorno ao dinheiro público investido. “Um programa desses custa caro para a sociedade manter. Com as patentes, estamos protegendo o conhecimento, porque elas são de propriedade da UFPR. Uma pequena parte dos royalties de produtos que venham a ser licenciados vão para os inventores, mas a maior parte fica com a universidade”, explica. A preocupação com inovação e transferência de tecnologia é a essência do curso. “Formar cidadãos na área tecnológica significa torná-los aptos a gerar riquezas ao Brasil, gerar produtos, que vão gerar impostos, retorno para todos”, acrescenta. 
O foco principal do programa é nas áreas de agroindústria e biocombustíveis, biotecnologia agroalimentar, mas também há pesquisas voltadas para a saúde humana e animal. Uma das patentes é hoje usada em secretarias de saúde, como os kits de diagnóstico para doenças infectoparasitárias. 
Química 
Quando a Capes divulgou o resultado que mostrava nota máxima da pós-graduação em Química da UFPR, a equipe envolvida estava em meio à celebração dos 25 anos do programa. Segundo o vice-coordenador, Luiz Pereira Ramos, esse curso é um dos mais competitivos do país, e estar entre os melhores foi uma grande conquista. Segundo ele, além da produção acadêmica, a gestão do programa também contribuiu para o resultado positivo. “Grande parte dessa avaliação está baseada na submissão à Capes de um relatório que deve ser comprovado em todas as suas nuances para chegar ao nível de qualidade que a Capes exige”, explica. 

O acompanhamento da formação do aluno também é essencial. “Há um rigor muito grande no acompanhamento dos alunos. Também temos grande visibilidade nacional e internacional reconhecidas com premiações, atestando a qualidade dos docentes que trabalham aqui conosco”, diz. O programa conta com 33 docentes e um deles, Aldo José Zarbin, é atualmente presidente da Sociedade Brasileira de Química, que em julho organizou o 46º Congresso Mundial de Química em São Paulo, com a presença de três vencedores do prêmio Nobel. 
O programa atua nas linhas de pesquisa físico-química, química analítica, química inorgânica e química orgânica. Entre as conquistas recentes está a participação de professores da área, juntamente com os de bioquímica, no desenvolvimento de uma tecnologia com potencial de diagnóstico rápido e acessível da dengue. 
Bom momento 
Além dos dois cursos com nota máxima, vários outros resultados foram comemorados pela UFPR. A maré de boas novas ajudou a melhorar o ânimo da instituição, que se viu envolvida em um esquema de fraude no pagamento de bolsa, desvendado pela Operação Research, deflagrada pela Polícia Federal em fevereiro deste ano. 
De 66 programas avaliados pela Capes, 29 conseguiram aumentar a nota em relação ao levantamento anterior, de 2013. Outros 33 mantiveram a mesma nota; 4 tiveram redução. O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFPR, Francisco Mendonça, destacou que há oito cursos com nota 6, também considerados de alto nível. Além disso, o número de programas com nota 5 quase dobrou, de 14 para 27 em 2017. “Antes o nosso desempenho formava uma pirâmide com base muito larga, com muitos cursos nota 3. Isso mudou, são poucos os que estão nesse nível, e conseguimos mudar a pirâmide, que ficou mais encorpada em cima”, relata. 
Segundo Mendonça, os colegiados atuaram com muita dedicação para chegar a esses resultados. Ele destacou também o trabalho final feito pela Reitoria, para enviar os dados necessários para a Capes. Ele diz que o desempenho da pós-graduação se reflete na qualidade dos cursos de graduação. “Isso induz a formação dos professores e pesquisadores, e envolve os estudantes, que podem começar suas pesquisas em iniciação cientifica”, acrescenta. 
Retrato disso já aparece no ranking Universitário Folha 2017, divulgado em 18 de setembro. De 37 cursos de graduação avaliados, 17 estão entre os dez melhores do país. Para Eduardo Barra, pró-reitor de Graduação da UFPR, esses levantamentos devem sempre ser vistos com cuidado, porque podem mostrar retratos momentâneos. Mas ele considera que o resultado é fruto de anos de investimento na educação superior. “Entre 2005 e 2015 as verbas para educação cresceram 100%. Foi feito um investimento volumoso, que deixou de ir para outras áreas, para cumprir a ideia de que a educação não é custo, é investimento. Claro que não é colhido na primeira safra, mas ao longo de decênios”, observa. 
Barra atribuiu o desempenho geral dos cursos a dois fatores: qualificação dos professores e ingresso esclarecido do estudante. “Nossa universidade tem um programa expressivo de qualificação do corpo docente, que aumenta a produtividade. A cada seis, sete anos, o docente passa pelo menos um período letivo seis meses de tempo de pesquisa em outra universidade, normalmente no exterior”, observa. Além disso, a universidade tem investido em feira de profissões e na prestação de informações sobre o curso ao interessado. “Dessa forma os alunos compreendam melhor a natureza do curso, o que envolve, qual o currículo, quais as exigências, e assim ele escolhe o curso mais consciente, o que chamamos de ingresso esclarecido”, diz. 
Futuro 
A crise econômica e redução nos repasses para a educação preocupa diversos professores e coordenadores. Mas há uma postura mais otimista para enfrentar as dificuldades. “Passamos anos em que a universidade deixou de ser instituição que estava em crise permanente. O recuo de 2017 é muito expressivo, mas para os anos seguintes ainda vamos colher os frutos do período em que tivemos acréscimo exponencial de investimentos em educação”, opina Barra. 
“A pós é um grande investimento no desenvolvimento do país. Países desenvolvidos têm pós de ponta. Quero crer que a crise que vivenciamos seja passageira, porque ela existe, mas não coloca nosso país na situação anterior que estávamos. O Brasil é um país rico e a ciência é base para o desenvolvimento. A classe dirigente saberá rever a situação tão grave neste ano para que retomemos os investimentos em pesquisa”, avalia Mendonça. 
Soccol, do programa de Biotecnologia, também tenta ver saídas. Ele usa um argumento ainda mais prático: o do emprego. “Com esforço e dedicação, conseguimos superar dificuldades, mas se tivéssemos mais recursos, os avanços seriam mais expressivos em todas as áreas. E, na medida em que transformamos nossos produtos nas diferentes cadeias produtivas, em especial no agronegócio, nós empregamos brasileiros. Senão empregaremos na China, Europa, Estados Unidos”. 
Fonte: www.gazetadopovo.com.br 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

INPI reconhece Brastemp e Consul como marcas de alto renome


Brastemp e Consul, do grupo Whirlpool, passam a fazer parte de uma seleta lista, que inclui apenas 47 marcas no Brasil, com alto renome reconhecido pelo INPI - Instituto Nacional de Propriedade Industrial.
Hoje, o INPI administra cerca de 150 pedidos de marcas para obter o reconhecimento de alto renome. O certificado foi sedimentado a partir da resolução INPI/PR 107/13 e estabelece essa proteção especial pelo prazo de 10 anos.
Além de agregar muito valor à marca, a certificação amplia a proteção ao negócio da empresa, conforme explica a advogada Carina Rodrigues, sócia do escritório Daniel Legal & IP Strategy, especializado em Propriedade Intelectual responsável pela obtenção dos registros para Brastemp e Consul.
Carina explica que o INPI, ao julgar os requerimentos, leva em consideração 3 fatores principais: é preciso comprovar que a marca é reconhecida por um grande número de pessoas em todo o território nacional; que se tenha boa reputação e prestígio e que seja suficientemente distintiva.
O reconhecimento mostra que a Brastemp e a Consul comprovaram, com sucesso, todos os critérios necessários, sendo chancelada como uma das únicas marcas de alto renome no Brasil”.
A advogada enfatiza que, além da proteção jurídica, a obtenção do alto renome acaba sendo uma medida também preventiva, evitando que pessoas e empresas desconhecidas “peguem carona” em uma marca, como é o caso de produtos que são lançados com nomes similares ao do líder de mercado.
Esse é o maior nível de distintividade que uma marca pode ter. Uma marca pode perder força ou se diluir por questões de mercado, mas quando ela tem o alto renome reconhecido, acontece o inverso, já que a marca fica cada vez mais forte e exclusiva”, analisa.
Fonte: http://www.migalhas.com.br/

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Na economia do conhecimento a demanda por direitos de Propriedade Intelectual vem aumentando, diz OMPI

Com um chamado à maior adesão dos países ao sistema global de PI, a Assembléia Geral da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) se iniciou no dia 2 de outubro, em Genebra.
No dia 1º de outubro, antes do início oficial da Assembleia, o diretor geral da instituição, Francis Gurry, recebeu representantes dos países membros, entre eles o presidente do INPI, Luiz Otávio Pimentel, para falar do futuro do sistema e as perspectivas para as políticas públicas na área. 
Segundo Gurry, na economia do conhecimento, a demanda por direitos de PI vem aumentando, o que faz surgir desafios para a gestão dos escritórios nacionais. Em 2015, a OMPI registrou 2,9 milhões de pedidos de patentes depositados no mundo, enquanto houve 6 milhões de pedidos de marca e 870 mil pedidos de desenho industrial. Como processar esse enorme volume de pedidos se tornou uma questão para todos os países. Para Gurry, novos recursos de tecnologia da informação e mecanismos de cooperação internacional ajudarão a gerenciar melhor os processos administrativos de PI. 

Reunião do IBEPI
Dando continuidade à agenda do dia 1º, o presidente do INPI participou de reunião com países do Programa  Iberoamericano de Propriedade Industrial (IBEPI). Foram discutidos a atuação de cada escritório de PI e os avanços do programa, além das questões fundamentais para o processo de institucionalização do IBEPI, como a metodologia de gestão voltada para resultados. O presidente pro tempore do IBEPI, Dámaso Pardo, também presidente do INPI da Argentina, conduziu a reunião. 
No dia 4 de outubro, um novo encontro será realizado para promover a articulação com outros atores para promover a proteção e promoção da PI, com a participação de representantes do Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO) e Escritório Europeu de Patentes (EPO, na sigla em inglês). 
O IBEPI tem o objetivo de promover o desenvolvimento das sociedades ibero-americanas por meio do uso estratégico da propriedade industrial em apoio às políticas públicas e utilizá-la como instrumento de competitividade dos setores industrial, comercial e de pesquisa da região. O grupo é constituído por Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Equador, Espanha, México, Paraguai, Peru, Portugal, República Dominicana e Uruguai. 
Ainda como parte da programação, os países integrantes da OMPI participaram da sessão plenária da Assembleia Geral no dia 2 de outubro. 
Fonte: http://www.inpi.gov.br

terça-feira, 3 de outubro de 2017

XP Investimentos deposita a marca "XP Bitcoin" no Brasil

Uma das maiores instituições financeiras do país, a corretora de ações XP Investimentos, que possui 450 mil clientes ativos e R$90 bilhões em custódia, deve começar a operar no mercado brasileiro de Bitcoin a partir do próximo ano. Em maio deste ano, a XP teve 49,9% de suas ações adquiridas pelo banco Itaú por R$6 bilhões.
No início de setembro, a empresa depositou a marca XP BITCOIN para atuar no mercado, de acordo com o site do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), órgão que faz o registro das marcas no Brasil. 
No dia 25 de setembro, a Folha de S. Paulo publicou uma reportagem sobre Bitcoin, que continha uma declaração de um dos responsáveis pela nova área de Bitcoin da XP. 
Não é regulado e não tem nenhuma instituição financeira grande ou FGC (Fundo Garantidor de Créditos) por trás. É de extremo risco, afirma João Paulo Oliveira, analista-chefe de moedas criptografadas da XP Investimentos. Maior corretora do país, a XP diz ainda estar começando a olhar para esse mercado.
Fonte:https://www.criptomoedasfacil.com  

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

INPI encerra hoje serviço de protocolo nas unidades regionais

Conforme notícia divulgada no dia 14 de agosto, o INPI informa que, em 2 de outubro de 2017, foi encerrado o serviço de protocolo de todas as suas unidades regionais, localizadas no Distrito Federal, São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Belo Horizonte, Vitória, Fortaleza, Recife, Aracaju, Goiânia e Manaus.
Os usuários devem utilizar, preferencialmente, o peticionamento eletrônico. Nas situações para as quais seja necessário o peticionamento em papel, deve ser utilizada a via postal ou, excepcionalmente, entrega pessoal na recepção da sede do INPI, localizada no Rio de Janeiro. 
Para mais informações sobre os procedimentos a serem adotados, confira o comunicado publicado no dia 23 de agosto. É importante acrescentar que, após a publicação do comunicado, foi lançado o sistema eletrônico de registro de programa de computador, o e-RPC, e não há mais pedidos em papel para tal serviço. 
Informações adicionais podem ser obtidas por meio do sistema Fale Conosco, com acesso disponível na página principal do Portal do INPI.
Fonte: http://www.inpi.gov.br