terça-feira, 25 de maio de 2010

Médico alerta: Cancelamento de patente do Viagra pode incentivar o uso indiscriminado do medicamento


A extinção da patente do princípio ativo do Viagra - medicamento que tem a exclusividade de fabricação e comercialização pelo laboratório farmacêutico Pfizer –, decidida pela Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que visa beneficiar o acesso da população ao remédio, poderá aumentar os problemas de saúde da população masculina.
Quem faz o alerta é o médico Arnaldo Cividanes, mestre em urologia pela Escola Paulista de Medicina, diretor médico do Centro Especializado em Cirurgias Minimamente Invasivas (CECMI) / SP e Fellow do International College of Surgeons in Urology. 

“É claro que facilitar o acesso à população que necessita do medicamento é positiva, mas esta abertura de mercado precisa agregar um criterioso acompanhamento para os homens que realmente sofrem de disfunção erétil, em todo o seu contexto, e não apenas sexual”, relata.

Segundo o urologista, existem pesquisas que demonstram o uso indiscriminado do medicamento por parte dos jovens.

A Universidade de São Paulo (USP) divulgou pesquisa apontando que 40% dos homens brasileiros têm disfunção erétil e o médico salienta que apesar de o problema ser freqüente, está associado, na sua grande maioria, à disfunção psicogênica e não verdadeiramente a uma possível doença orgânica.

A ampla divulgação do Viagra como ‘garantia’ de maior tempo da ereção e o uso das drogas vasoativas, pode acarretar uma incidência maior de PRIAPISMO - ereção prolongada (de horas) e frequentemente dolorosa. “Isto é um perigo, pois pode causar um dano irreversível da parte estrutural do pênis, que é a responsável pela ereção. De forma alguma os homens deveriam usar este tipo de remédio sem orientação médica”, diz.

Hoje, segundo o diretor do CECMI, não há uma avaliação criteriosa, especialmente clínica, dos “consumidores” de remédios para disfunção erétil. A falta de preparo psicológico com a alteração sexual leva o homem à procura do medicamento, de forma descontrolada e sem o efeito desejado, tornando-se uma ‘muleta’, um vício, que acarretará em ainda mais problemas.  “Muitas vezes o homem busca o remédio apenas para aumentar uma potencialização e isso é prejudicial. É preciso consulta e orientação de um profissional médico especializado, principalmente pelos jovens, que terão a saúde comprometida no futuro.

Para o doutor Cividanes, o urologista é o mais indicado para fazer a investigação de uma possível disfunção e seus componentes psicológicos. Ele deve ser o responsável pela indicação da droga mais adequada a ser ministrada e de possível apoio da área da saúde mental. “O Viagra não é afrodisíaco. Se não for resolvida a questão psicológica que está comprometendo o lado afetivo e prejudicando ou anulando a libido, a excitação, o medicamento terá pouco ou nenhum efeito sobre o aumento da intensidade e a duração da ereção”, finaliza.
Fonte: http://www.segs.com.br

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