sábado, 8 de maio de 2010

Farinha de Cruzeiro do Sul pode ter selo de Indicação Geográfica Parceria entre o MAPA, Embrapa e Governo do Estado busca certificação da farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul


Técnicos da Embrapa e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) reuniram-se com produtores de farinha do vale do Juruá para iniciar o processo de obtenção do selo de Indicação Geográfica (IG) para a farinha da região. Para isso, segundo o fiscal federal agropecuário, Isaías de Carvalho Pinto, do MAPA, é preciso que os produtores se organizem em associações, cooperativas ou confederações, pois somente uma pessoa jurídica pode requerer uma IG.
Há dois anos o MAPA iniciou uma conversa com os produtores de farinha, propondo que se trabalhasse a farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul como indicação geográfica. Isto agregaria, além do reconhecimento do uso da marca, o patenteamento junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) de modo que ninguém mais poderia utilizar e traria como benefício para os produtores a organização rural, agregação de valor, geração de emprego e renda no meio rural.

"A gente acredita que pela tradição que tem a farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul esse é um processo bastante tranquilo de ser conduzido, desde que haja a organização dos produtores", avalia. Ele alerta sobre o perigo de pirateamento o que seria evitado com a obtenção do selo IG, já que a partir daí ninguém mais poderia utilizar o nome ‘farinha de Cruzeiro do Sul'. "Eu conheço em Rio Branco algumas farinhas que já tem esse nome. Se os produtores daqui não tomarem consciência de que precisam trabalhar a indicação geográfica ou registro da marca eles podem correr o risco de alguém registrar e eles perderem toda esta tradição que já existe aí de muitas décadas na produção de farinha", avalia.

IG inspira confiança

A IG surgiu quando produtores comerciantes e consumidores passaram a identificar que alguns produtos de determinadas regiões apresentavam características atribuíveis à sua origem geográfica e iniciaram sua denominação com o nome geográfico que indicava sua procedência. "A indicação geográfica é a patente de um produto regional com suas qualidades e tradição já reconhecidas dentro de certa região", explica Isaías. O selo IG, segundo informações do MAPA, inspira mais confiança ao consumidor, pois ele garante que o produto tem história, tem uma determinada forma de produção local; tem características determinadas pelo local de origem e uma boa reputação ligada às características da região. O selo IG é reconhecido mundialmente e alguns exemplos notórios são os vinhos tintos da região de Bordeaux (França), os presuntos de Parma, os charutos cubanos, os queijos Roquefort, o Champagne. No Brasil há os exemplos do Vale dos Vinhedos (vinhos e espumante) Pampa Gaúcho da Campanha Meridional (carne) e região do Cerrado Mineiro (café).

A pesquisadora da Embrapa Virgínia de Souza Álvares informa que o órgão vem trabalhando desde 2007 - em parceria com o Governo do Estado - na implantação de boas práticas de fabricação e melhoria da qualidade da farinha de mandioca da região de vale do Juruá e agora junto à Secretaria de Estado de Produção Familiar (Seaprof), está fazendo o mapeamento de todas as casas de farinha nos cinco municípios que compõem a região e aplicando um questionário, visando identificar o modo de fabricação. Agora entrou em parceria com o MAPA para analisar a qualidade da farinha de todo o vale do Juruá. O órgão também está verificando a questão das áreas degradadas. Ela defende a busca da IG.

"É a valorização do produto, como se fosse uma certificação. Também vamos abordar que existem outras maneiras para proteger o produto farinha de mandioca da região, que pode ser através de marcas coletivas. O que a gente vem fazer hoje é incentivar o produtor a proteger o seu produto para dizer realmente que a farinha de mandioca é daqui da região. É positivo tanto para o produtor quanto para o consumidor", disse. 

Fonte: http://www.vermelho.org.br

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