terça-feira, 16 de março de 2010

O nosso Espumante entre os mais gostosos do mundo - Indicação Geográfica?


Feliz e efervescente, proporcionando horas agradáveis de júbilo e alegria de existir, cercado de glamour e sofisticação, o vinho espumante, pelo mundo afora, é apreciado dia e noite, em companhia de quase todas as preparações gastronômicas imagináveis. Sem abandonar o caráter clássico, soube, século 21 adentro, acompanhar, versátil, o estilo moderno.
No Brasil os espumantes estão ligados aos imigrantes italianos. Fixados no Rio Grande do Sul (município de Garibaldi), passaram a produzi-los há quase um século, trabalhando sempre com afinco para ampliar a reputação do produto, a aceitação e o reconhecimento dos especialistas nos mercados nacionais e internacionais. A excelência atual é fruto da experiência, vontade e disciplina de quatro gerações de apaixonados vinhateiros. 
O clima da Serra Gaúcha, desfavorável para amadurecer completamente as uvas, compromete a concentração de açúcar natural e coloca vinhos tintos e brancos tranqüilos em desvantagem. Nessas circunstâncias, os borbulhantes, que adoram elevado teor de acidez, podem almejar qualidade comparável àquela dos países de consolidada tradição: ombreiam com crémants, cavas, prossecos, sekts e astis.
Mas aquela história de que “o Brasil não conhece o Brasil”, em matéria enológica ainda se mostra bastante presente. Nosso espumante desenvolveu referência sensorial e cultural, ganhou personalidade, caráter, distinção. Esse encantador conjunto de prazerosas maravilhas precisa ser descoberto e apossado.
Mario Geisse, enólogo, responsável pelas garrafas que carregam seu sobrenome no rótulo, afirma com acerto: “o espumante brasileiro é tão emblemático como são o Carmenère para o Chile, o Malbec para a Argentina e o Tannat para o Uruguai”. Rosto legítimo, símbolo do que de melhor oferecemos na área, brasileirinhos têm obtido expressivos resultados de sucesso.
Em julho de 2009, por exemplo, o Espumante Premium Brut da Casa Valduga arrebanhou medalha de bronze no 26o International Wine Challenge (IWC), realizado em Londres. Parece modesto? Não é. Durante o evento, gigantesco, cada vinho é avaliado pelo menos três vezes por 400 especialistas de todos os cantos do planeta. Os vencedores, duramente testados, confirmam atributos respeitáveis e ganham espaço no globalizado cenário do vinho.
Fica a indicação. Até mesmo como preparação e educação dos sentidos, antes do privilégio de uma das 1998 escassas garrafas de Dom Pérignon Vintage 1998 — a bottle named desire —, champanhe promovido pelo estilista Karl Lagerfeld, antes do encontro com o prestigioso Krug Clos d’Ambonnay 1995 (apenas duas raras garrafas trazidas para nosso país pelo preço de R$ 13.500 cada), celebre sua truta ou seu camarão com o dourado elegante que vem do Sul e diga, orgulhoso, caprichando naquela pronúncia cantante característica dos irmãos pampeiros: “nosso Sul, nosso Norte!”


MERCADO | Alimentos e bebidas
Por Davi Goldman -05/03/2010



* Davi Goldman é pesquisador e professor de cursos sobre champanhe; Coordenador do curso de extensão FAAP - Alta Gastronomia. 

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