terça-feira, 1 de junho de 2010

Revista Trip ganha versão em alemão


No mercado editorial brasileiro, a regra geral sempre foi importar modelos de publicações estrangeiras. Raramente houve casos de títulos locais que foram replicados em outros mercados. Mas, agora, uma mistura de leveza e humor para levar a vida ? sem, entretanto, deixar de ser sério ? está abrindo as portas do mercado editorial europeu para revistas nacionais.
A precursora desse novo movimento é a revista Trip, da Trip Editora. Em setembro, ela ganhará oficialmente uma versão em alemão. "O estilo brasileiro está no radar do mundo", diz Paulo Lima, sócio-fundador e editor da Trip Editora. "Após a crise financeira global, o Brasil emergiu como um lugar onde humor e prazer de viver não comprometem a seriedade do mundo dos negócios."
Na opinião do editor, o fato de o País lidar bem com a diversidade abre caminho para o mercado editorial. "O Brasil lida melhor do que a média dos outros países e melhor também que os outros emergentes. E isso está na moda. É um fenômeno que vem sendo captado por editores que, agora, querem expor o nosso savoir-faire nas páginas das revistas."
Como reconhece o próprio Lima, um dos melhores indicadores do jeito brasileiro de levar a vida está na valorização da sensualidade da mulher brasileira. Foi graças a ela que o editor alemão Thomas Garms chegou à revista Trip.
A primeira edição da Trip alemã foi feita sob licença para circular com 100 mil exemplares entre cidades da Alemanha, Áustria, Suíça e Luxemburgo. O título obedeceu o projeto gráfico e editorial criado por Paulo Lima há 24 anos, quando a revista nasceu. Do material publicado, 45% são versões das matérias produzidas para o leitor brasileiro. O restante do conteúdo são pautas desenvolvidas aqui e adaptadas para a realidade europeia.
A valorização do Brasil no mercado editorial está tão em evidência, que, em setembro, acontece pela primeira vez no País, na cidade de São Paulo, a Worldwide Magazine Marketplace (WMM), feira de licenciamentos de marcas de revistas. Segundo informa a assessoria da Associação Nacional de Editoras de Revistas (ANER), são esperados mais de 350 executivos do exterior em busca de novos negócios a se considerar os últimos eventos realizados em Dubai e Rússia.
Barreira. Na ANER, não há nenhum mapeamento dos títulos brasileiros que são licenciados no exterior. Existe apenas a constatação de que são poucos os editores que conseguem exportar títulos. A língua portuguesa é uma das dificuldades para adaptação.
Mas hábitos e costumes, que não são admirados por outros povos, também costumam ser um empecilho para o licenciamento de títulos no exterior. A atual e animada realidade econômica nacional está ajudando a alterar essa condição.
A experiência mais consistente de título nacional bem sucedido no exterior pertence à Editora Abril, que tem a revista Exame publicada em Angola.
"Trata-se de um licenciamento de marca e conteúdo para um parceiro em troca do pagamento de royalties e no qual a Abril não tem participação acionária direta. É um modelo semelhante ao que a própria Abril adota no Brasil ao licenciar títulos estrangeiros (como Playboy e Men"s Health). Nesse caso, a Exame é licenciada ao Grupo Media Nova, empresa de mídia angolana", informa a assessoria da empresa.
A estrutura da revista Exame angolana é similar à da edição brasileira, como informa a assessoria da Editora Abril. "O grupo que edita tem acesso ao conteúdo da edição brasileira e adiciona a ele o conteúdo produzido localmente para a composição da edição, que é mensal e não quinzenal, como acontece no Brasil."
Na mão contrária, os títulos licenciados pela Editora Abril atualmente são mais de 20. Vão desde as histórias em quadrinhos publicadas em parceria com a Disney, que existe desde os anos 50, passam por publicações femininas como Nova (1973) e Elle (1988), e chegam às mais recentes, como a Runners (2008).
Estagnado. No caso da exportação do modelo Trip de fazer revistas, como conta Paulo Lima, há um somatório de cenários favoráveis. "As publicações para o mercado masculino na Europa estavam estagnadas. O modelo adotado parou nos anos 80, quando se faziam matérias para um homem machão. O comportamento dos homens mudou muito nos últimos anos."
Sua editora não tomou a iniciativa de procurar mercados no exterior para expandir negócios. O editor alemão, que é casado com uma brasileira, viu nas bancas a Trip e procurou Lima para iniciar uma conversa há mais de um ano. Na época, ele era vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Axel Springer International, um importante grupo de comunicação da Alemanha. "Com a crise, as conversas foram suspensas, mas Garms, que acabou saindo da Axel Springer, resolveu empreender no ramo e decidiu lançar o título, seguindo a mesma linha da Trip brasileira", diz Lima. Lançada em 1986, a Trip tem como objetivo buscar o novo, por meio de histórias que traduzem e refletem o dia a dia de sua comunidade de leitores. 
Fonte: http://www.estadao.com.br

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