segunda-feira, 28 de junho de 2010

Indicação geográfica pode valorizar carne bovina


Assim como já acontece com outros produtos de origem agropecuária, a carne bovina também pode ganhar valorização pelas características de regionalização. Este foi o tema do painel Indicação Geográfica para Carne Bovina, apresentado na tarde desta quinta-feira, dia 17, no Fórum Canal Rural e ABM&A – Pecuária, Marketing e Negócios, parte da programação da Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne Bovina, a Feicorte.
Paulo César Nogueira, diretor do Departamento de Propriedade Intelectual e Tecnologia da Agropecuária da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (DEPTA/SDC/MAPA), apresentou o exemplo da Carne dos Pampas. A iniciativa partiu dos próprios pecuaristas, com apoio do Sebrae-RS, visando à produção com elevado padrão de qualidade e certificação de origem, características que garantem valor agregado.
Para o debate neste painel, foram convidados o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho da Silva; o presidente da ABMR&A, Maurício Mendes; e o consultor do JBS-Friboi e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcus Vinícius Pratini de Moraes. De maneira geral, palestrante e debatedores concordam que é preciso reforçar o marketing da carne bovina brasileira, assim como a imagem do País nas negociações com o mercado Global.
“O Brasil é uma colônia grande. Faz 500 anos que estrangeiros vêm aqui comprar nossos produtos e determinam quanto querem pagar”, lamentou Pratini de Moraes. Segundo ele, o fato positivo é que o agronegócio nacional está acordando para oportunidades como a indicação geográfica. “Temos de aprender com os europeus, pois eles já utilizam tal sistema há mais de dois mil anos.”
Pratini insistiu na ideia de que o Brasil tem de ofertar seus produtos de maneira diferente. “Temos que aprender a não ter vergonha de vender itens de luxo e de fazer controle de qualidade. Não podemos mais dar colher de chá para negociantes internacionais, é preciso haver uma troca justa”, bradou o ex-ministro.
Maurício Mendes, da ABMR&A, acrescentou que uma vez neste jogo, o País tem de passar a discutir as questões comerciais com essa base. “O nascedouro de projetos de comercialização precisa trazer o marketing em sua programação”, afirmou.
Cesário Ramalho comentou ser fácil entender que os produtos de qualidade superior chegam à gôndola do supermercado com valor mais alto porque também custam mais para serem produzidos. Porém, essa simplicidade toda não é tão bem aproveitada. “Ainda não pensamos em uma maneira prática de fazer isso”, disse o dirigente. Para ele, essa situação também envolve uma questão de gestão.
Ramalho citou o Rio Grande do Sul como um exemplo de pecuária que já tem um tipo de gado mais característico, por conta dos rebanhos com animais de origem europeia, e afirmou ser possível fazer o mesmo no centro do País com as raças zebuínas, como acontece com o Vitelo Pantaneiro.
Fonte: http://www.publique.com/press

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