terça-feira, 11 de maio de 2010

Nesta biblioteca só tem garrafa


Primeiro sal, depois limão, depois tequila. Ou é tequila, sal e limão? Ou limão...? Ritual botequeiro à parte, a bebida acaba de ganhar um museu-biblioteca-clube em Nova York, Ou será biblioteca-clube-museu? Ou clube...?


Tequiloteca. Ao pedir uma dose, pergunte antes o preço: um 'shot' pode custar US$ 175.
Clássicos de Shakespeare, Edgar Allan Poe e Walt Whitman dão lugar a Don Julio, Sauza, Patrón, Jose Cuervo, entre outras celebridades cultuadas na mais nova biblioteca de Nova York, La Biblioteca de Tequila.
Aberta há duas semanas no andar de baixo do restaurante Zengo, ela pertence ao chef e restaurateur mexicano Richard Sandoval, dono de mais de uma dezena de casas espalhadas pelos Estados Unidos.
O espaço é decorado com luminárias antigas, lustres em forma de pequenos abajures e sofás Chesterfield - aqueles clássicos das bibliotecas inglesas com estofados capitonê e os braços na altura do encosto. Mas a sobriedade do ambiente é quebrada pela trilha sonora, que ecoa rock dos anos 90.
As prateleiras exibem uma coleção de tequilas - só merece o nome o destilado de agave azul produzido em cinco regiões do México, as que fazem parte da Denominação de Origem. Ao todo encontram-se ali 350 garrafas da aguardente mexicana em todas suas categorias: tequila branca, repousada, envelhecida e extraenvelhecida, além dos mezcais (feitos de agave de diversos tipos).
Existem ainda versões aromatizadas e as chamadas tequilas mistas, que levam outros destilados, mas mantendo 51% de agave azul, conforme regulamentação do Conselho Regulador da Tequila, CRT.
O lugar funciona como uma espécie de clube. E para conseguir a carteirinha de sócio é preciso comprar pelo menos uma garrafa - os preços vão de US$ 70 (caso da repousada Hijos de Villa, que tem um formato de pistola) a US$ 2.500, caso da 1800 Colección 2000 "Solo Luz", extraenvelhecida. Convertendo, custam entre R$ 120 e R$ 4.400.
Quem cuida do cadastro dos sócios é Courtenay Greenleaf, que anota na carteirinha o nome da garrafa e a data da aquisição. A garrafa fica guardada ali, e para tomar uma dose é preciso apresentar a carteirinha.
Ninguém está autorizado a levar a bebida para casa. "As pessoas se sentem especiais tendo a própria carteirinha e garrafa", diz Courtenav.
Ninguém é obrigado a ficar sócio para poder provar as diferentes tequilas. É possível sentar ali e pedir shots, que custam a partir de US$ 8, como a Don Nacho branca.
Quem preferir drinques feitos com a tequila em vez da bebida pura, também encontra opções ali, especialmente margaritas. Para acompanhar, há tacos, entre outras especialidades da culinária mexicana.
Às terças-feiras há degustações temáticas da bebida. Por US$ 15, o aprendiz tem direito a três shots da marca escolhida da semana (o preço pode mudar conforme o valor cobrado pelas garrafas provadas) e ainda aprende o processo de produção, a partir de explicações de um representante do produtor da bebida.
"Queremos mostrar às pessoas que assim como acontece com o vinho, o sabor e o aroma da tequila também são influenciados pelo terroir e pelo modo como ela é produzida", explica Courtenay, que prefere não ser chamada de sommelière de tequila até conseguir sua certificação oficial emitida pelo órgão mexicano CRT.
E se há uma coisa que você não vai encontrar nesta biblioteca são livros - nem sobre a tequila.
ONDE FICA
La Biblioteca de Tequila
622 Third Avenue (esquina com 40th Street), Nova York, 00/xx/1/212/808-8110
Fonte: http://www.estadao.com.br

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