segunda-feira, 31 de maio de 2010

Americanos criam a primeira célula viva de genoma sintético

Pesquisadores americanos conseguiram criar uma célula bacteriana viva cujo genoma é sintético, um avanço com múltiplas aplicações potenciais e que deve permitir compreender melhor os mecanismos da vida.
"Trata-se da criação da primeira célula viva sintética", explicou Craig Venter, criador do Instituto de mesmo nome e coautor da primeira sequenciação do genoma humano, revelada em 2000.
"Nós chamamos de sintético porque a célula se deriva totalmente de um cromossoma sintético, criado com quatro frascos químicos em um sintetizador químico, começando com a informação em um computador", explicou, classificando o êxito como uma "etapa importante científica e filosoficamente falando".
"Essa obtenção muda certamente minha visão da definição da vida e de seu funcionamento", acrescentou o pesquisador, cujos trabalhos são difundidos na revista Science.
"Isso se converte num instrumento muito poderoso para tentar desenhar o que esperamos da biologia e pensamos em uma gama muito ampla de aplicações", precisou.
Craig Venter havia anunciado em 2008 que conseguiu, com sua equipe, fabricar um genoma bacteriano 100% sintético pegando sequências de DNA sintetizadas para reconstituir o genoma completo da bactéria Mycoplasma genitalium.
Este genoma foi logo transplantado para outra bactéria, mas sem que esta pudesse funcionar.
Para criar uma célula controlada por um genoma sintético, os pesquisadores retomaram estas duas técnicas elaboradas em 2008.
O genoma que fabricaram é a cópia de um genoma existente, o da bactéria mycoplasma mycoides, mas com sequências de DNA adicionais para distingui-las.
Depois transplantaram este genoma sintético para outra bactéria, denominada mycoplasma capricolum, conseguindo ativar as células desta última.
Apesar do fato de que 14 genes foram apagados na bactéria receptora do genoma sintético, esta se parecia com uma bactéria mycoplasma capricolum.
"Apesar destas técnicas poderem se generalizar, a concepção, a síntese, a montagem e o trasplante de cromossomas sintéticos já não serão obstáculos para os progressos da biologia sintética", indica o estudo.
Segundo Craig Venter, agora os investigadores tentarão conceber algas capazes de capturar o dióxido de carbono (CO2), principal gás de efeito estufa, e produzir novos combustíveis limpos.
Também há pesquisas em curso para acelerar a produção de vacinas, fabricar novas substâncias químicas, ingredientes alimentares e bactérias capazes de purificar a água.
"A habilidade de escrever rotineiramente a engenharia da vida levará a uma nova era da ciências e, com ela, a novos produtos e aplicações como biocombustíveis avançados, tecnologia de água limpa e novas vacinas e medicinas", assegurou o instituto em seu site, acrescentando que é necessário um diálogo intenso "com todas as áreas da sociedade, do Congresso até especialistas em bioética".
Em compensação, para Pat Mooney, diretro do ETC Group, organismo internacional privado de controle das tecnologias, com sede no Canadá, este trabalho é uma verdadeira "caixa de Pandora".
"A biologia sintética é um campo de atividade de alto risco mal compreendida e motivada pela busca de lucros", afirmou.
"Sabemos que as formas de vida criadas em laboratório podem se converter em armas biológicas e também ameaçar a biodiversidade natural", acrescenta em um comunicado.
A pesquisa foi financiada pela Synthetic Genomics, uma firma co-fundada por Graig Venter.
O Craig Venter Institute patenteou algumas das técnicas descritas nos trabalhos publicados na quinta-feira.

Fonte: https://www.inpi.gov.br

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