terça-feira, 6 de abril de 2010

Hortifruti e café dão o exemplo: setores criam métodos para aumentar a eficiência da irrigação e diminuir os gastos hídricos em processamentos


Quarenta e sete por cento do total da água captada no Brasil, ou 865,5 metros cúbicos por segundo, são encaminhados à irrigação. Diante de tamanho volume e de um cenário de crescente redução dos recursos naturais, tecnologias que possibilitem a economia de água pela agricultura ganham importância. Uma das alternativas que hoje vêm sendo estudadas para garantir maior eficiência no gasto hídrico é o sistema deirrigação por microtubos.
A técnica nasceu na década de 1970 (foi o primeiro método de irrigação por gotejamento), mas acabou caindo em desuso, porque proporcionava muitos entupimentos - e também pelo fato de que as indústrias acabaram investindo em gotejadores já prontos, com medidas padronizadas. No entanto, a partir de 2002, pesquisadores retomaram os estudos, munidos de formas mais eficazes de filtragem de água. Membro deste grupo, a professora Ceres Duarte de Almeida, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), propôs algo inovador: utilizar os microtubos para irrigação por microaspersão, lançando a água em forma de pequenos borrifos.
De acordo com Ceres, o microtubo é um sistema fácil de montar no campo e barato (estima-se que, para irrigar 16 canteiros com alface, sejam gastos R$ 500 com gotejamento convencional, enquanto com omicrotubo gotejador esse valor cai para R$ 230). "O que fiz foi usar o microtubo para substituir o emissor do microaspersor, a fim de reduzir o custo e elevar a eficiência do microaspersor que já existe no mercado", diz. O invento parece complexo, mas, segundo a pesquisadora, a lógica é simples.
Em um microaspersor comum, a pressão com que a água chega no início da linha lateral (tubulação onde estão instalados os aspersores) é mais forte, por estar mais próximo da bomba. No final da linha, a água chega mais fraca, porque perde carga no caminho. Esse desbalanceamento no volume do recurso que atinge cada planta causa diferenças de produção, floração e crescimento. "Existe no mercado um microaspersor auto-compensante, que equilibra essa variação de pressão, mas é bem mais caro, feito com materiais importados", afirma. Assim, o microaspersor com microtubos fornece vazão constante, independentemente do relevo do terreno e da posição do vegetal no campo. "A ideia é variar o comprimento do microtubo, cortando ele maior ou menor, em função da variação da pressão com que a água chega no lugar onde será inserido, igualando a vazão em cada planta", explica Ceres.

Esse sistema colabora para o uso mais racional da água na lavoura. Com os microaspersores convencionais, os produtores acabam aumentando muito a quantidade de água direcionada ao campo, para evitar que as últimas plantas fiquem carentes desse recurso - ainda que as primeiras recebam água em quantidade bem acima do que precisam.
"Com os microtubos, é possível encaminhar ao vegetal apenas o necessário de água, sem excessos", afirma a estudiosa. Por consequência, há também economia de energia elétrica, fundamental ao funcionamento desses sistemas de irrigação, por movimentar as estações de bombeamento de água.
Pelo caráter inovador, um pedido de patente foi depositado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) - por isso, o desenho detalhado desse novo método de irrigação ainda não pode ser divulgado. "A ideia é licenciar a construção do sistema para uma empresa de irrigação", conta a professora. O objetivo é que a técnica criada por Ceres possa ser usada em plantações de árvores frutíferas e hortaliças
Fonte:http://revistagloborural.globo.com/

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