domingo, 24 de janeiro de 2010

Estudo pode estender sobrevida de pacientes com câncer de mama


Os resultados de um estudo internacional fase III, chamado RIBBON 2, apresentados durante o 32º Simpósio Anual de Câncer de Mama, em San Antonio, nos EUA,mostram que as mulheres tratadas com Bevacizumabe combinado à quimioterapia convencional, como tratamento de segunda linha (tratamento adotado após falha da medicação padronizada para a doença), tiveram aumento de 22% na chance de estarem vivas, sem piora da doença (sobrevida livre de progressão da doença), em comparação ao grupo que só recebeu a quimioterapia.
“Este foi o primeiro estudo de fase III a demonstrar que a combinação de um medicamento antiangiogênese com a quimioterapia convencional de segunda linha pode estender o tempo de sobrevida livre de progressão da doença, para as mulheres com câncer de mama avançado,” disse o Dr. Adam Brufsky, diretor médico do Centro de Câncer Feminino do Hospital da Universidade de Pittsburgh e principal pesquisador do estudo.
“Este é um resultado significativo, já que muitas mulheres com doença avançada apresentam piora do câncer quando a quimioterapia inicial deixa de funcionar e, atualmente, a única opção para essas mulheres é uma nova quimioterapia. O crescente conjunto de evidências, que apoia o uso combinado de Bevacizumabe, dá aos médicos maior flexibilidade na escolha do esquema mais adequado para suas pacientes”, complementou Antonio Carlos Buzaid, diretor de operaçõesdo Hospital Sírio Libanês.
No Brasil, de acordo com o INCA – Instituto Nacional de Câncer, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estágios avançados. Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de 61%. Para 2010, o INCA estima aproximadamente 50 mil novos casos de câncer de mama no País.

Sobre o Estudo RIBBON 2
O estudo foi focado em mulheres com câncer de mama avançado, negativo para HER2, já tratadas anteriormente com uma primeira linha de quimioterapia. Os eventos adversos
foram semelhantes aos já relatados com o uso de Bevacizumabe e não foram observados dados inéditos de segurança clínica nesse estudo.
O RIBBON 2 foi outro estudo fase III positivo, que se soma às evidências clínicas favoráveis ao uso de Bevacizumabe no tratamento de mulheres com câncer de mama avançado, agora como segunda linha. O papel de Bevacizumabe no tratamento de primeira linha já foi bem estabelecido, com base nos resultados de três estudos de fase III (E2100, AVADO e RIBBON-1). De modo geral, esses estudos mostram dados consistentes de eficácia e segurança em vários subgrupos de pacientes, independentemente das quimioterapias com as quais Bevacizumabe é combinado.

Sobre Bevacizumabe
Bevacizumabe é um anticorpo que bloqueia especificamente o VEGF (fator de crescimento endotelial vascular). O VEGF é o principal promotor da angiogênese tumoral – processo essencial para o desenvolvimento e a manutenção dos vasos sanguíneos necessários para que o tumor cresça e se dissemine (metástases) para outras partes do corpo. O modo de ação preciso do Bevacizumabe ajuda a controlar o crescimento e as metástases tumorais, com impacto limitado sobre os efeitos colaterais da quimioterapia.
Os benefícios do Bevacizumabe em termos de sobrevida foram comprovados em diversos tipos de tumor. Bevacizumabe está aprovado na União Europeia, para tratamento de quatro tipos de tumores comuns, em estágio avançado: câncer colorretal, câncer de mama, câncer de pulmão e câncer renal. Esses tipos de câncer causam, juntos, quase 3 milhões de mortes, todos os anos. Nos EUA, o Bevacizumabe foi a primeira terapia antiangiogênica aprovada pela FDA e, atualmente, está aprovado para o tratamento de quatro tipos de tumores: de mama, colorretal, glioblastoma (câncer cerebral) e pulmonar de não pequenas células. No Brasil, está aprovado para o tratamento do câncer colorretal e pulmão, e aguarda aprovação da ANVISA para câncer de mama, renal e glioblastomas multiformes. 
Mais de 500 mil pacientes já foram tratados com Bevacizumabe até o momento. Um programa clínico abrangente, com mais de 450 estudos clínicos, está pesquisando o uso de Bevacizumabe em vários tipos de tumor (inclusive colorretal, pulmonar, cerebral, de mama, de estômago, de ovário, da próstata e outros) e em diferentes contextos (doença avançada ou em estágios iniciais).

Fonte: Mídia Eletrônia: Alagoas em Tempo Real -http://www.alemtemporeal.com.br/-

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